"Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo."1. (Jeremias 31:33.)
Esse convênio é universal para todos aqueles, de todas as raças, que forem "batizados em Cristo".22. (Gálatas 3:27). Como Paulo declarou: "Se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa".3 (Gálatas 3:29.) Os convênios não são simplesmente rituais externos, são reais e eficazes meios de mudança. "O novo nascimento vem pelo Espírito de Deus mediante as ordenanças."4 Devemos sempre honrar e manter sagrados os convênios de salvação que fazemos com o Senhor. Se assim o fizermos, Ele prometeu: "Receberás revelação sobre revelação, conhecimento sobre conhecimento, para que conheças os mistérios e as coisas pacíficas aquilo que traz alegria, que traz vida eterna".5
Convênios e Ordenanças de Salvação
Muitos convênios são indispensáveis para a felicidade nesta vida e na vindoura. Dentre os mais importantes estão os convênios do matrimônio feitos entre marido e mulher. Desses convênios fluem as maiores alegrias desta vida.
O convênio do batismo, com a respectiva ordenança de confirmação, abre as portas da vida eterna.
O juramento e convênio do sacerdócio contêm a promessa de que ao élder digno da Igreja "tudo o que meu Pai possui"6 ser-lhe-á dado. Os convênios do templo são a base para o recebimento das maiores bênçãos que o Senhor reservou para nós.
Temos o grande privilégio de partilhar do sacramento, a Ceia do Senhor. A renovação de nossos convênios batismais ao tomarmos o sacramento é algo que nos proteje contra todo tipo de mal. Quando partilhamos dignamente do pão e da água santificados, em lembrança do sacrifício do Salvador, testemunhamos a Deus, o Pai, que estamos desejosos de tomar sobre nós o nome de Seu Filho e sempre lembrar Dele e guardar os mandamentos que Ele nos deu. Se fizermos essas coisas, sempre teremos o Seu Espírito conosco.7 Se partilharmos regularmente do sacramento e formos fiéis a esses convênios, a lei estará em nosso interior e escrita em nosso coração.
Permitam-me ilustrar esse princípio usando uma história tirada do Church News:
"Um grupo de professores de religião estava fazendo um curso de verão a respeito da vida do Salvador, com enfoque particular nas parábolas.
Quando chegou o momento do exame final, ( . . . ) quando os alunos chegaram à classe, encontraram um bilhete dizendo que o exame seria realizado em outro edifício que ficava do outro lado do campus. Além disso, o bilhete dizia que o exame teria que ser terminado dentro de um período de duas horas, contadas a partir de quase aquele instante.
Os alunos atravessaram o campus correndo. No caminho, passaram por uma menina chorando ao lado de sua bicicleta nova que estava com o pneu furado. Um senhor idoso caminhava com dificuldade em direção à biblioteca, com uma bengala em uma das mãos e uma pilha de livros na outra, da qual caíam alguns pelo caminho. Em um banco próximo ao prédio do diretório de estudantes, estava um homem mal vestido e barbado [visivelmente passando por dificuldades].
Ao entrarem correndo na sala de aula, os alunos encontraram o professor que anunciou que todos haviam sido reprovados no exame final.
O único teste verdadeiro que poderia provar que haviam compreendido a vida e os ensinamentos do Salvador, disse o professor, era a maneira como tratavam as pessoas necessitadas.
As semanas que passaram estudando com um professor muito capaz haviam-lhes ensinado muito a respeito do que Cristo tinha dito e feito."8
Na pressa de terminar as formalidades do curso, porém, eles haviam deixado de reconhecer a aplicação prática representada pelas três situações que haviam sido montadas propositalmente. Aprenderam a letra mas não o espírito da mensagem. Sua negligência para com a menininha e os dois homens mostrou que a profunda mensagem do curso não havia entrado em seu íntimo.
Precisamos, de vez em quando, analisar a própria alma e descobrir quem realmente somos. Por mais que o desejemos, não há como disfarçar o nosso caráter verdadeiro. Ele brilha de dentro de nós de modo muito transparente. A tentativa de enganar os outros somente consegue enganar a nós mesmos. Freqüentemente somos como o rei da fábula que pensou estar finamente vestido, quando na verdade estava nu.
Em minha vida, vi a fidelidade dos membros da Igreja aumentar. Usando-se os mesmos padrões, existem hoje maiores manifestações de fidelidade do que jamais aconteceu. A cada domingo, o percentual de pessoas que tomam o sacramento da Ceia do Senhor em todo o mundo passa do dobro do que acontecia em minha juventude.
Estamos tentando cuidar dos pobres e necessitados de nosso meio por intermédio da generosidade dos membros fiéis da Igreja que observam a lei do jejum e participam do inspirado programa de bem-estar. Temos enviado diversos tipos de auxílio humanitário, no valor de milhões de dólares, a muitos países a fim de aliviar a fome e o sofrimento. Isso é administrado de acordo com a necessidade das pessoas, sem distinção de raça, cor ou religião.
Mais de nossos membros estão desfrutando as bênçãos de viver a antiga lei do dízimo. Eles devolvem voluntariamente ao Senhor um décimo de suas rendas. Foi Ele quem lhes deu. Centenas de milhares a mais de santos fiéis desfrutam o privilégio da adoração no templo. Temos hoje 58.000 missionários servindo no campo. Regozijo-me com isso e tenho certeza de que o Senhor está satisfeito com isso. Mas pergunto-me se estamos nos tornando proporcionalmente mais semelhantes a Cristo. Será que nosso trabalho provém de um coração puro?
Estou-me referindo à importância do cumprimento dos convênios porque eles nos protegem em um mundo que está-se desviando dos valores que reconhecidamente proporcionam alegria e felicidade. No futuro, esse enfraquecimento da fibra moral pode vir até a aumentar. A decência básica da sociedade está diminuindo. No futuro, nosso povo, particularmente nossos filhos e netos, podem esperar ser bombardeados ainda mais pelos males de Sodoma e Gomorra.
Há famílias demais sendo desfeitas. O bem é chamado de mal e o mal, de bem.9 Será que em nosso atual "caminho fácil" 10 esquecemos os elementos do sacrifício e da consagração.
Talvez em nossos dias e em nossa época seja mais difícil manter a força moral e vencer os ventos malignos que sopram mais forte do que nunca. É um processo de seleção. Atualmente, os equivalentes modernos da Babilônia, Sodoma e Gomorra são mostrados de modo convidativo e explícito na televisão, na Internet, nos cinemas, livros, revistas e locais de entretenimento.
Na conferência geral de Outubro de 1997, o Presidente Gordon B. Hinckley alertou-nos de que estamo-nos tornando por demais semelhantes à maioria da sociedade em questões como a santificação do dia do Senhor, a desintegração da família e outras. Ele disse:
"Tornamo-nos por demais semelhantes ao restante da sociedade nesses assuntos. É claro que existem boas famílias. Existem boas famílias em toda parte. Existe, porém, um número excessivamente grande delas que está passando por dificuldades. Essa é uma enfermidade que tem cura. A receita é simples e maravilhosamente eficaz. É o amor."12
Não podemos permitir que nossos valores pessoais sejam derrubados, mesmo se as outras pessoas os considerarem estranhos. Sempre seremos considerados um povo estranho. No entanto, é bem melhor ser espiritualmente correto do que ser politicamente correto. É claro que queremos ser queridos e respeitados como indivíduos e como povo. Não podemos, contudo, juntar-nos à maior parte da sociedade se isso significa abandonar os princípios corretos que nos foram dados no monte Sinai, posteriormente refinados pelo Salvador e depois ensinados pelos profetas modernos. A única coisa que devemos temer é ofender a Deus e a Seu Filho Jesus Cristo, que é o cabeça desta Igreja.
Todas as formas do mal estão sendo mascaradas. Refiro-me à imoralidade sexual. Refiro-me às apostas em dinheiro, que em muitos lugares são chamadas de passatempo em vez de jogo. Isso é típico de como muitos outros males estão sendo mascarados para tornarem-se mais aceitáveis. Há um mascaramento de outros comportamentos que foram condenados em toda a história da humanidade, e que são destrutivos para a família, a unidade básica da sociedade.
Em "A Família: Proclamação ao Mundo", a Primeira Presidência declarou: "Nós ( . . . ) solenemente proclamamos que o casamento entre homem e mulher foi ordenado por Deus e que a família é essencial ao plano do Criador para o destino eterno de Seus filhos".
O colapso da autoridade paterna está minando a mais indispensável instituição da sociedade: a família.
Paulo falou a respeito de pessoas de sua época que mostravam "a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência".13 Para que os membros desta Igreja desfrutem as bênçãos de um povo do convênio, a lei do Senhor precisa estar escrita em seu coração. Como podemos fazer isso se tantas vozes dizem a nossos filhos e netos que o mau é bom e o bom é mau?
Esperamos que todos os pais e mães, avôs e avós sejam melhores exemplos ao guardarem os mandamentos de Deus. Pedimos aos maridos e mulheres que se esforcem mais em ser amorosos e gentis uns para os outros. Se ambos os pais isolarem a família o máximo que puderem das muitas influências que nos espreitam, os filhos estarão melhor protegidos. O estudo diário das escrituras, a oração diária, as reuniões familiares regulares, a obediência à autoridade do sacerdócio no lar e na Igreja constituem uma grande apólice de seguro contra a deterioração espiritual.
Josué não errou ao dizer: "Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor ( . . . )".
"E disse o povo a Josué: Serviremos ao Senhor nosso Deus, e obedeceremos à sua voz."14 Temos a liberdade de aceitar ou rejeitar o conselho do Senhor e de Seus profetas. Freqüentemente aqueles que decidem não seguir os profetas são as vozes que criticam os que o fazem.
As ordenanças e convênios ajudam-nos a lembrar quem somos e nosso dever para com Deus. São os veículos que o Senhor providenciou para levar-nos para a vida eterna. Se os honrarmos, Ele nos dará mais força.
O Élder James E. Talmage afirmou que o verdadeiro crente, "com o amor de Deus na alma, procura viver uma vida de serviço e retidão, sem parar para perguntar segundo que lei ou regra cada um de seus atos é ordenado ou proibido".18
Em um mundo em que nós e nossa família estamos sendo ameaçados pelo mal por todos os lados, lembremo-nos do conselho do Presidente Hinckley: "Se nosso povo conseguisse apenas viver de acordo com esses convênios, todas as outras coisas entrariam nos eixos".19
Os membros fiéis da Igreja que são fiéis aos convênios que fizeram com o Mestre não necessitam que lhes sejam explicados cada jota e til. A conduta cristã flui da mais profunda fonte do coração e alma humanos. Ela é guiada pelo Santo Espírito do Senhor, que é prometido nas ordenanças do evangelho. Nossa maior esperança deve ser desfrutar a santificação resultante dessa orientação divina; nosso maior temor deve ser o de perder essas bênçãos. Que vivamos de modo a podermos dizer, como o salmista: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração".20 20. Salmos 139:23.